Propósito: 7 empresas que geram valor social

Torço para que vire moda tudo que tem potencial para fazer o bem. Mas, vale dizer também, que tudo que vira moda tem potencial para ser usado de forma superficial. Não é diferente com a palavra propósito.

Propósito tem sido uma das palavras mais ouvidas do último ano. Reflexo de um movimento onde as pessoas têm buscado se conhecerem melhor e compreenderem o motivo da sua própria vida e dos seus negócios e profissões para trilhar um caminho com mais significado.

Válido, importante e essencial – quero deixar claro!

Mas, voltando à superficialidade, vale dizer que, nessa onda, muita empresas estão surfando: algumas que já existem e estão adequando a comunicação para os conceitos da “nova era” e outras que nascem e se contentam com uma frase bonitinha sobre a razão de existir. Pronto: temos um negócio com propósito!

Será que temos mesmo? Quem leva o assunto com profundidade sabe que não. E mais: os clientes sentem de longe ou, em algum momento, irão cobrar o retorno do que está sendo dito, porque se não houver um mergulho sincero no propósito, mais cedo ou mais tarde, isso ficará evidencia!

Na verdade, todo esse texto acima nem era pra existir (ou era) e fluiu da simples vontade de compartilhar alguns negócios com propósito, mas, que eu vou preferir chamar de empresas que geram valor para a sociedade.

1. Rede Asta – Bom, bonito e do bem (@rede_asta)

A Rede Asta é uma marca carioca que iniciou a sua história antes de ganhar esse nome, partindo de uma viagem com a intenção catalogar iniciativas do bem pela Ásia. O projeto foi ganhando forma e transformou-se num negócio social que encontra em suas atividades, seis objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU, atuando nessas causas através de produtos feitos à mãos com materiais de reuso por mulheres de baixa renda em comunidades, juntamente com os designers da marca, “transformando artesãs em empreendedoras e produtos em histórias”.

www.redeasta.com.br

2. Insecta Shoes (@insectashoes)

Não é a primeira vez que falo sobre a Insecta. A marca me cativa pelo visual interessante, mas, também, pela coerência que imprime em cada oportunidade de comunicar a causa que defende – a ambiental. Além de produzirem sapatos e acessórios atemporais, sem uso de material de origem animal e feitos com tecidos de roupas que garimpam em brechós, a empresa oferece um conteúdo relevante sobre moda sustentável, alimentação saudável e vegana, cosméticos e produtos naturais, dicas de como descartar corretamente resíduos de todos os tipos e até sobre questões políticas, sempre com sensibilidade, consciência e seriedade.

www.insectashoes.com

3. Amora Bonecas (@amorabonecas)

A Amora Bonecas é uma pequena empresa com coração grande, que produzir, artesanalmente, “brinquedos afirmativos” como as bonecas de pano negras, para falar sobre representatividade e fortalecer a autoestima desde a infância através da experiência de identificação. O projeto, inscrito no Prêmio Laureat Brasil, passou para as fases seguintes, recebendo mentoria de profissionais da área de empreendedorismo, e segue encantando e conectando pessoas em feiras e lojas colaborativas de Salvador, além das vendas online.

www.amorabonecas.com.br

Uma boneca negra para uma criança negra é mais que uma boneca. É uma ferramenta de construção de identidade e autoestima.

4. Euzaria (@euzaria_)

A Euzaria nunca foi uma marca de moda. Já nasceu como um movimento de pertencimento e conexão entre pessoas e valores humanos e até espirituais. Mas, usou as camisetas como ferramenta pra transmitir as suas mensagens e gerar recursos para contribuir com causas sociais: a cada t-shirt vendida, outra era doada.

Parcerias com outras empresas também foram feitas para esse fim, como foi o caso das refeições geradas com o Menu Euzaria em restaurantes de Salvador. As camisas eram entregues junto com as refeições em ações de rua que convidavam os clientes da marca para fazerem parte desse momento de transformação interna e externa.

www.euzaria.com.br

O amadurecimento da marca levou à evolução do movimento que, agora, investe em educação de jovens assistidos pelo Instituto Aliança.

5. Ronaldo Fraga (@ronaldofraga)

Ronaldo Fraga é a marca e o nome do estilista mineiro que em sua bio no Instagram brinca ser “um costureiro que se diz artista” e usa a moda para valorizar o trabalho artesanal, a diversidade e abordar questões políticas e sociais nas passarelas de grandes eventos como a SPFW, provocando reflexões necessárias de forma lúdica, como em seu último desfile que trouxe a imagem de militares associada à elementos que representam a resiliência da paz, do respeito, da liberdade e da educação.

Para mim, a sua singularidade e consciência resultam num trabalho que traz informação estética e preserva pilares genuínos da moda, como forma de expressão e reflexo do comportamento humano. Mais do que roupas, um manifesto!

7. Estamparia Social – Feito por marginais (@estampariasocial)

Mensagem forte? É pra ser. Chegou pra impactar – positivamente!

Acompanho a Estamparia Social há pouco tempo, mas a causa na qual o negócio atua é extremamente relevante: capacita e insere no mercado têxtil pessoas que se afastaram do sistema prisional e normalmente retornam para o convívio social com a dificuldade de conseguirem emprego.

Assim, a empresa oferece serviço de produção de produtos em tecido, como t-shirt, ecobag, porta-canudo, etc. Tudo que você quer desenvolver e envolve estamparia, corte, costura e bordado, feitos de forma sustentável, com algodão orgânico, num processo que reduz até 90% do uso de água – mais um valor gerado!

www.estampariasocial.com

Esses são alguns exemplos de empresas que, independente de grandes ou pequenas e de atuarem no mercado local ou nacional, tem como força motriz reduzir impactos negativos e somar ações ainda mais positivas.

Não importa o tamanho, importa a vontade de realizar, coerência e cuidado nos detalhes. Se cada um fizer, genuinamente o que pode com o que tem, a união trata de trazer a força da transformação!

Sobre Amanda Dragone

Designer de Comunicação. Co-fundadora do Modera Brechó e da Relúpio - Mídias Sociais.